Indústria de suplementos minerais cresce 3,6% no 1º trimestre

Foram comercializadas 554 mil toneladas de janeiro a março, com 65 milhões de cabeças suplementadas

crédito imagem: Kika Damasceno @kikadamas

As indústrias de suplementos minerais do Brasil comercializaram no primeiro trimestre deste ano 554 mil toneladas, um aumento de 3,6% sobre o mesmo período do ano passado. E o número de bovinos suplementados, nas áreas de Corte e Leite, alcançou a marca de 65 milhões de cabeças, avanço de 6% sobre os três primeiros meses de 2025. Os números do Painel de Comercialização foram destaque da reunião mensal da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM), realizada neste mês, em São Paulo (SP). Que foi aberta com uma apresentação de José Roberto Mendonça de Barros, economista brasileiro, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda de 1995 a 1998, e ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior da Presidência da República em 1998.

“A Guerra do Golfo já produziu um choque de energia, inflação, pressão na política monetária e alguma redução no crescimento mundial. Penso que a guerra não dura mais de um mês. E vai ter ganhadores e perdedores. Mas o Brasil está bem situado. É um produtor e exportador confiável em commodity, está fora da zona de conflito, tem um petróleo com menos carbono e todas as novas fontes de energia, incluindo o etanol de milho. Basta ver a entrada de investimentos e a valorização do Real. Mesmo com algum custo devido às importações de fertilizantes e derivados de petróleo.  E a Pecuária está no mesmo bom caminho. Doze milhões de toneladas produzidas e liderando de longe as exportações. Já vamos bater o teto da nossa cota com os chineses no meio do ano”, indicou o economista.

Mendonça de Barros ainda destacou que nossa carne é a mais competitiva no mundo em termos de preços. E o consumo interno está aumentando. “São perspectivas excelentes, com revolução tecnológica, menos área, qualidade do alimento e aumento no peso das carcaças”, acrescentou.

É também o universo vislumbrado pelo cientista econômico, pesquisador do FGVAgro e responsável pelo Painel de Comercialização da ASBRAM, Felippe Cauê Serigati. “Existem dados que ainda precisamos analisar melhor mas, certamente, estamos com a cabeça acima da água. O ano começou com dados positivos na indústria de alimentos. E o comportamento do consumidor brasileiro tem mostrado uma revolução de costumes, envolvendo as canetinhas de emagrecimento, açúcar, sucos, refrigerantes. Entretanto, a proteína animal segue com boa procura e preferência no varejo”, apontou Felippe.

O encontro mergulhou ainda mais na situação econômica e política do Brasil e exterior, indicando que o panorama é de energia mundial crescendo no sentido da descarbonização e produção autossustentável, principalmente eólica, solar e biocombustíveis. E que os Estados Unidos podem perder bastante por estar isolado, não respeitar acordos e viver uma inflação galopante. Mesmo tendo um fôlego inédito com a força crescente das empresas de inteligência artificial.

“O mundo vai crescer menos em 2026. Com o tempo, a economia americana e o dólar vão perder espaço. A China está bem, mas sofre com a perda de força do mercado interno e a diminuição da população. Já o cenário econômico brasileiro não é nem brilhante, nem ruim. A inflação vai aumentar e os juros também. A safra será boa, a desaceleração econômica seguirá lenta, o investimento fraco, exportações fortes, consumo das famílias caindo um pouco e o governo Federal gastando uma barbaridade”, desenhou Mendonça de Barros.

O economista ainda reconheceu que o cenário mundial é complexo, o agro sofre com o baque de custos, mas o Brasil precisa enfrentar um desempenho financeiro desafiador, caminhar firme na gestão e disciplina empresarial e tomar todo o cuidado com os juros. “Carregar uma dívida com esses juros é loucura. Tem um ajuste duro pela frente. O agro pediu dinheiro emprestado demais em 2021 e 2022”, alertou.

O encontro da ASBRAM terminou com um olhar realista sobre o novo mundo de negócios. Mão firme na administração dos negócios, apoiar o batalhão de quinze mil profissionais extensionistas das cem empresas afiliadas à Associação e bater firme na mensagem da proteína vermelha ideal. “Não existe boi bem terminado, carne de qualidade, sem suplementação mineral”, decretou César Franzon, médico-veterinário, fundador da Métrica Pecuária Inteligente e gerente da Neutropec.

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