
É um quadro bonito de admirar. Aqui dentro de nosso país, boi cotado a R$ 342,50 em Barretos (SP), à vista. Com pico de R$ 359,50. Mercado comprador de carne bovina. Previsão de R$ 360 para novembro. Confinamento de quase 10 milhões de cabeças e rentabilidade chegando a 7% por mês. Reposição subindo 22,6% em um ano. E o boi gordo 10,7%. Os frigoríficos se prepararam para a saída do mercado da China no meio do ano, diminuíram abates, deram férias e o preço caiu. Porém, voltou a subir pela diminuição de oferta de animais.
Um cenário ilustrado pela reunião mensal de agosto da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais, a ASBRAM. Que reuniu gente tarimbada para debater o segmento, como Stefan Mihailov, médico-veterinário e diretor-presidente da CRV Lagoa; Alcides ‘Scot’ Torres e Pedro Gonçalves, da Scot Consultoria. Além de toda a diretoria da Associação.
“No gado de corte, o Brasil assumiu a liderança mundial de produção. E com exportações crescentes. As centrais acompanham a fertilidade dos touros em campo. Com ressincronização, segunda e terceira inseminação artificial. Foram 30 milhões de doses comercializadas no ano passado, no total. Sete por cento de crescimento ao ano. E Genética evoluindo 9,7% no primeiro semestre. Evoluímos demais em melhoramento genético e reprodução. Mesmo nos últimos três anos, com recorde de importação de leite e derivados. E margens em recuperação, mas muito longe do mínimo mundial. É necessário compreendermos que, no leite, genética é margem. No corte, menor uso de touros nas fazendas. Mesmo nos últimos três anos, com recorde de importação de leite e derivados. E margens em recuperação, mas muito longe do mínimo mundial. Porém, temos espaço para melhorar. Os dois segmentos, aliás, seguem tentando avançar, com muito espaço para crescer’, examinou Stefan Mihailov.
Não é à toa que foram abatidas 43 milhões de cabeças em 2025. E a expectativa até o fim do ano é mais otimista. Um quinto da carne exportada no mundo é do Brasil. Foram US$ 18 bilhões de faturamento no ano passado e 4,5 milhões de toneladas carcaça enviadas. E o ritmo prossegue em 2026. Já chegamos a US$ 12 bilhões de dólares em sete meses. São mais de oitocentas mil toneladas de carne produzidas por mês. “A exportação também estimula a produção pelo pedido por cortes específicos. Se usasse mais a estratégia de fazer seguros pelo preço, o nosso pecuarista teria margens ainda maiores. A China ainda está na frente entre nossos parceiros, com 45% do volume vendido lá fora. Caiu, mas ainda é um número expressivo demais”, apontou Alcides Scot.
“Os nossos dois maiores compradores são as economias que lideram a economia planetária. É um reflexo do ‘caminhar’ da sociedade. E a Ásia vai continuar sendo nosso foco. A Indonésia chegou finalmente. Hoje, negociamos com o exterior 37,9% do total que sai das fazendas. E o setor está seguindo, firme, com concentração sobre os pequenos. Aproveitando, sobremaneira, o panorama de relativo equilíbrio dos preços da soja e do milho, mesmo com etanol e DDG”, arrematou Pedro Gonçalves.
Entretanto, Rodrigo Miguel, Presidente da ASBRAM, lança o alerta. “Realmente, estamos exportando bastante, mas a carne bovina ainda é a proteína que precisa aprender bastante com as outras carnes em comportar-se no mercado externo, cuidando de o risco de um container voltar, prejudicando sensivelmente os preços no mercado interno. E criar uma consciência de promover ações de como se faz a boa produção em termos de nutrição”, disparou.
Na alimentação, o raciocínio se aplica bem, como podemos observar pelos números do Painel de Comercialização da ASBRAM, divulgados na reunião. Em julho deste ano, foram vendidas 219,8 mil toneladas, uma contração de 8,3% generalizada sobre julho de 2025. E nos sete meses deste ano, o volume fica praticamente inalterado, 1,422 milhão de toneladas, aumento de apenas 0,1% sobre 2025. Com 69,1 milhões de animais suplementados.
“Agora, é aguardar o restante do segundo semestre. A expectativa básica é alcançar 2,43 milhões de toneladas no ano inteiro. Ou 2,53 milhões de toneladas, num cenário mais otimista”, contou Felippe Cauê Serigati, coordenador do Painel. “O mercado da nutrição está crescendo, mas os suplementos minerais precisam entender com mais profundidade em que pedaços dá para avançar. Grãos, material dentro da propriedade, compostos combinados”, opinou Rodrigo Miguel.
O cenário econômico para essa reviravolta está inserido em um mundo que vai crescer menos, 3% neste ano e 3,4% em 2027, segundo o Fundo Monetário Mundial (FMI). E um Brasil que já não agrada tanto o merco internacional. “O mundo permanece vendo o Brasil bem, mas mais reticente, com menos apetite. Seguimos exportando muito petróleo e com o pé no acelerador. Podendo elevar o Produto Interno Bruto (PIB) em 2,4%. Agora, nossa Bolsa está performando menos, perdendo ganhos. E as internacionais batendo recordes. O modelo puxado pelo consumo está desgastado e tem a volatilidade natural das eleições presidenciais. O Brasil cresce com desequilíbrios, gastos públicos avançando mais de 15%, R$ 140 bilhões por ano. A conta vai chegar”, reforçou Felippe.
Para enfrentar tantas questões, a reunião também tratou de fábricas que investem em produzir mais alimentos para aves, suínos, bovinos e peixes em espaços menores. “São investimentos em usar menos energia, poeira, mais precisão, plantas mais baixas, rastreabilidade, eficiência, custos menores, conexão, segurança no processo, automação e impedimento de contaminação cruzada. Ótimas medidas de adaptação para as indústrias de suplementos minerais”, resumiu Alexandre Baranoski, da Área Comercial da Engfarma Engenharia de Equipamentos, com sede em Toledo (PR).
Debateu o eterno problema da gestão ideal nas indústrias. “A questão não é só treinar todos que fazem parte da operação e, sim, fazer os sistemas funcionarem. Isso marca a qualidade do serviço da empresa. E é uma situação difícil porque cerca de 70% dos gestores não são treinados e dizem não ter tempo para desenvolver seus times”, reclamou Renan Dalcero, Executivo da Agroperforma. E ouviu as qualidades de reconhecidos fornecedores de matérias primas para a nutrição animal, como é o caso da Pureferti, corporação suíça que mantém armazéns, trade, produção e atuação na maior parte dos portos brasileiros.
“A ASBRAM está em um novo ciclo, enfatizando o que é a boa prática de produção. Tratando de vários temas, não só a nutrição. Genética, fábrica de ração, mercado, apresentação de novos parceiros, os dados do nosso Painel de comercialização. Envolvendo as empresas filiadas com nossos materiais de apoio para uma efetiva comunicação de temas como boa alimentação dos rebanhos de corte e leite, práticas de proteção ao meio ambiente, nutrição, suplementação. Pelas redes sociais, campanhas e meios de comunicação variados. Valorizando a presença da entidade nas mídias, para influenciar o segmento e os consumidores. Assim como em importantes eventos do setor realizados no Brasil. Torcemos por um excelente segundo semestre”, saudou o presidente da ASBRAM.

